Hospital Rocha Faria

O Hospital Rocha Faria foi inaugurado no dia 6 de julho de 1940, com a presença do presidente da República, Getúlio Vargas, e do prefeito do Rio de Janeiro, Henrique Dodsworth, além de outras autoridades. O médico Roberto Pereira foi o primeiro diretor do hospital, que iria abrigar “ambulatórios de diversas especialidades, enfermarias de clínica médica e cirurgia, serviços de pronto socorro e todos os serviços gerais de um moderno hospital” (A Noite, 6/6/1940). Getúlio Vargas também inaugurou o busto de Rocha Faria, cujo nome completo era Benjamin Antônio de Rocha Faria e foi um dos mais importantes médicos do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX, tendo falecido em 1936. O presidente ainda lançou a pedra fundamental de um novo pavilhão do hospital, que teria capacidade para mais cem leitos. O hospital foi construído numa pequena elevação, no centro de um amplo terreno, onde antes funcionava o Posto de Assistência Municipal do bairro.
Estátua de Adelino Moreira

Localizada na Rua Barcelos Domingos (quase esquina com Rua Campo Grande), a estátua de Adelino Moreira foi produzida por Mestre Saul, importante artista da região, e faz parte do Espaço Cultural Compositor Adelino Moreira (Eccam). Adelino Moreira nasceu em 1918, em Portugal, mas veio para o Brasil com apenas um ano de idade. Era filho do comendador Serafim Sofia, figura importante do bairro de Cosmos. Adelino foi parceiro de Nelson Gonçalves em vários clássicos da música brasileira, como “A volta do boêmio”, e morou na Estrada do Monteiro até a morte, em 2002, onde mantinha o restaurante Cinderela. Ele homenageia Campo Grande na música “Meu bairro”.
Monumento da Laranja

Esta escultura, produzida pelo escritório de arquitetura Nilton Montarroyos na década de 90, representa o ciclo da laranja, fruta que foi plantada em larga escala em Campo Grande e exportada entre as décadas de 20 e 50. A colheita era armazenada nos chamados barracões, onde as frutas eram embaladas com papel de seda finlandesa e depois transportadas pelos trens da Central do Brasil até o centro da cidade, de onde eram exportadas para os Estados Unidos, Europa e Argentina. Até um suco com a laranja de Campo Grande foi produzido no bairro durante a década de 40. A decadência dos laranjais campograndenses começou com a II Guerra Mundial, quando a economia dos países importadores se voltou para a produção de armamentos e o bloqueio continental feito pelos submarinos alemães prejudicou mais ainda a exportação. Com as laranjas carregadas e sem colheita, logo surgiram as pragas e o ciclo da laranja foi chegando ao fim.
Colégio Afonso Celso e Centro Universitario MSB

A instituição que abriga o Colégio Afonso Celso e o Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos foi criada em 1935, com o nome de Ginásio Modelo, fundado pelo casal Moacyr Sreder Bastos e Guiomar Bastos. Na década de 70, quando o colégio se chamava Afonso Celso e já existia a instituição de ensino superior, um dos filhos do casal, o professor Moacyr Barros Bastos, deu um grande impulso à instituição, devido à sua intensa participação na vida política, social e cultura do bairro. A instituição contava com uma ampla biblioteca, ginásio, teatro, uma sala de vídeo onde funcionava o Cineclube Moacyr Bastos, além de clínicas de fisioterapia e uma Vila Olímpica. Parte da instituição foi vendida para um grupo paulista no final de 2012 e a outra parte para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 2022.
Rua Coronel Agostinho

A Rua Coronel Agostinho, onde fica o Calçadão de Campo Grande, foi reconhecida pelo Decreto 1165, de 31 de outubro de 1917, e homenageia um fazendeiro e comerciante muito conhecido no bairro. Seu primeiro nome foi Rua Tenente-Coronel Agostinho, mas depois ela “subiu de patente” e passou a abrigar diversos estabelecimentos comerciais ao longo do século XX, principalmente por ficar perto da estação de trem e também porque por ela passava o bonde, veículo que fez parte da paisagem de Campo Grande até 1967. Algumas de suas grandes lojas do passado foram a Padaria Adelaide, a Casa Eunice, a Farmácia Luzes (que deu origem ao Luzes Shopping), a Casa Nilza, a Churrascaria Rio Grande, a Casa de Saúde Campo Grande, a primeira sede do Colégio Afonso Celso, o Mercado São Braz e a Silbene, entre muitos outros. Um dos momentos marcantes da rua foi o show de Roberto Carlos, em dezembro de 1970, na inauguração da Loja Magal, no local onde hoje fica a Superlar.
Igreja N. Senhora Desterro

Fundada em 1673 pelo fazendeiro Manuel de Barcelos Domingues, na região que hoje faz parte de Bangu, esta igreja foi a matriz da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Campo Grande, que se estendia do atual bairro de Campo Grande até a altura de onde hoje é Realengo. Transferida para o local atual em 1808, o templo foi destruído por um incêndio em 1882 e reconstruído seis anos depois, obra comandada pelo padre Belisário dos Santos, cujos restos mortais estão sepultados na igreja. Ao longo do século XX, a igreja teria uma participação ativa na vida dos moradores do bairro, promovendo grandes eventos, como a festa da padroeira e a festa dos imigrantes. Em novembro ela recebe as comemorações do aniversário de Campo Grande. A igreja também abriga um Museu de Arte Sacra e Popular e permanece como o maior símbolo histórico do bairro, vista de várias partes do centro de Campo Grande.
Cine Theatro Campo Grande

Inaugurado em 1938, o Cine Theatro foi o primeiro grande cinema do bairro, com 1463 lugares, instalado em um prédio com arquitetura Art Déco. Antes do Cine Campo Grande, como ele passou a ser chamado, o cinema que os campograndenses frequentavam era o Cine Progresso, na Rua Campo Grande, perto da Rua Gianerini, de propriedade de um italiano, Emilio Vertulli. Este cinema funcionou de 1928 a 1964 e era bem mais modesto do que o Cine Theatro Campo Grande, que funcionou até 1994, voltando às atividades no ano seguinte, mas com o nome de Cine Star Campo Grande. Em 2001, ele fechou as portas de vez, passando a abrigar o Restaurante Popular de Campo Grande, embora o projeto do Governo do Estado fosse o de fazer, junto com o restaurante, um cinema popular, exibindo apenas filmes brasileiros a 1 real.
Praça Doutor Raul Boaventura

A Praça Três de Maio foi aberta em 1917 e mudou de nome em 1961 para Doutor Raul Boaventura, homenageando uma importante figura da sociedade de Campo Grande, de uma família que se destacou no cenário político do bairro. Entre outros postos e funções, Raul foi o primeiro diretor do Posto de Assistência de Campo Grande, inaugurado em agosto de 1933, na Rua Coronel Agostinho, nº 8. A praça sempre abrigou desfiles de carnaval, com a montagem de belos coretos, assim como sempre foi o cenário de muitos discursos políticos. Nela funcionou durante décadas um ponto de táxi, que depois foi transferido para a Rua Augusto Vasconcelos, e também muitas lojas famosas no bairro, como a Casa Dux.
Estação de Campo Grande

A Estação de Trem de Campo Grande foi inaugurada no dia 2 de dezembro de 1878, construída em um terreno vendido ao governo federal por Manuel Fernandes Barata. O projeto original, no entanto, previa a construção na área onde se localiza a Estrada Rio do A, mas uma comissão presidida pelo professor Francisco Alves da Silva Castilho (o Professor Castilho, nome de uma rua em Campo Grande) se dirigiu à diretoria da Estrada de Ferro D. Pedro II, argumentando que a estação deveria ficar perto da sede do “arraial”, como a área do atual centro de Campo Grande se chamava na época. E assim foi feito. Com o tempo, a estação seria ampliada e a passagem de nível substituída por um túnel, ligando o lado das ruas Coronel Agostinho e Augusto Vasconcelos (antiga Rua da Estação) ao lado das ruas Barcelos Domingos e Campo Grande. No dia 3 de junho de 1945, a estação recebeu a visita do presidente Getúlio Vargas e grande comitiva para inaugurar a eletrificação dos trens entre Bangu e Campo Grande.



